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Timestamp aponta crescimento de 30% em 2014

O Grupo Timestamp fechou 2013 com cerca de 10,8 milhões de euros de receita, um valor que fica abaixo dos 11,4 milhões de euros registados em 2012. A queda da facturação, na ordem dos 600 mil euros, foi contornada com um crescimento do EBITDA, que subiu para 12%.

«Este foi o grande trabalho que fizemos em 2013», explica Sérgio Pena Dias, chairman da Timestamp. No ano passado, a companhia procurou centrar a actividade em negócios com maior taxa de rentabilidade, em vez de no crescimento do volume de negócios, e em mais projectos internacionais, tendo estes representado 24% do volume de negócios total da tecnológica portuguesa.

O ADN da Timestamp está associado ao universo Oracle. A empresa é Oracle Platinum Partner e Oracle Accelerate Solution Certified e possui 15 especializações Oracle. É também parceira certificada Microsoft Gold Platform e conta com certificações ISO 9001 e ISO/IEC 17025.

A oferta do Grupo Timestamp inclui cinco grandes aplicações, que representam a maior parte do investimento realizado pela empresa. Só no ano passado estes produtos foram objecto de um investimento na ordem dos 15% do total da receita.

A primeira das aplicações é o DS-Plan, uma solução de gestão portuária desenvolvida em parceria com o Porto de Lisboa. O CéOS é um produto de consolidação fiscal para holdings não muito grandes. Há várias soluções deste género para os grandes grupos económicos, com inúmeras empresas e delegações em mercados diferentes e cuja contabilidade precisa de ser consolidada, mas não existe no mercado um produto, com excepção do Excel, que faça a consolidação de gruposconstituídospor cinco, 10 ou 15 entidades que não estão disponíveis para pagar licenciamento de grandes produtos.

A Timestamp acabou por desenvolver um produto para este segmento de entidades, que em Portugal reúne um número significativo de organizações. «Temos feito algumas implementações com sucesso; é adequado para o mercado português e para fora de Portugal, para entidades de pequena e média dimensão que pretendem fazer a consolidação financeira e o respectivo reporting com procedimentos estandardizados», declara Sérgio Pena Dias.

Outros dois produtos dizem respeito a desenvolvimentos de módulos complementares da Oracle E-Business Suite nas áreas de procurement e gestão de fornecedores. Estes produtos estão direccionados quer para a tipologia, quer para as características do mercado nacional. São pequenos módulos de software que complementam necessidades identificadas pela Timestamp no decurso de várias implementações.

O último produto desenvolvido recentemente pela tecnológica portuguesa é o CISAL. Trata-se de um produto independente, que pode ser utilizado e integrado com qualquer ferramenta de gestão, seja Oracle, SAP ou outras ferramentas. A solução destina-se a entidades públicas que fazem a circularização de saldos. Na prática este produto permite validar de forma automática as facturas que um determinado fornecedor enviou, se entraram ou não entraram, se estão contabilizadas ou não, e possibilita realizar uma gestão correcta das facturas em trânsito ou em fase de aprovação.

Facturar 14 milhões de euros

Depois de alguns anos de desaceleração nos investimentos e na modernização tecnológica, várias são as empresas portuguesas que se vêem confrontadas com a necessidade de contrariar este ciclo. Na opinião do chairman da Timestamp, as empresas «só conseguem crescer se investirem, só conseguem endereçar os seus mercados e os seus produtos se reinvestirem, só conseguem ter capacidade de exportação se reinvestirem».

O presidente da companhia sente que há um ambiente de confiança nos empresários e acredita que as tecnologias de informação são nucleares para a transformação e para o crescimento de muitas empresas portuguesas. «Os indicadores de oportunidades de negócio são significativos e mostram um cenário de crescimento para o mercado interno; vamos ver se na realidade se materializam», ressalva o chairman.

Se a geração de oportunidades de negócio em Portugal tem sinal positivo, o mercado externo apresenta grandes oportunidades, nomeadamente o continente africano, que se encontra num ciclo de desenvolvimento mais orientado para infra-estruturas, e o continente europeu, onde os recursos portugueses são muito competitivos e atractivos do ponto de vista da competência face ao custo, quando comparados com os valores médios praticados na Europa.

Fruto das condições e perspectivas de negócio nacionais e no estrangeiro, os administradores da Timestamp estimam, neste ano, alcançar um volume de negócios na ordem dos 14 milhões de euros, o que representaria um crescimento de 30% face aos 10,8 milhões de euros realizados em 2013.

Relativamente ao negócio internacional, o gestor prevê que a empresa, neste exercício fiscal, alcance um crescimento de 40% a 50%, o que significaria que cerca de 40% dos 14 milhões de euros previstos para 2014 seriam relativos a projectos desenvolvidos fora de Portugal.

Aproveitar oportunidades internacionais

Um dos trabalhos realizados pela Timestamp em 2013 esteve relacionado com a reorientação da estrutura da companhia, para responder a mais desafios e projectos internacionais. «A pressão competitiva, do ponto de vista da margem no mercado português, é intensa ou grande; o potencial volume de transacções também diminuiu em 2012 e em 2013, o que fez com que existissem mais entidades a concorrer à mesma oportunidade, o que por sua vez fez baixar o preço e a margem dos projectos em causa», explica Sérgio Pena Dias. O gestor refere ainda que no mercado internacional há áreas de enorme desenvolvimento, sendo que a intensidade competitiva neste caso é menor e as probabilidades de ter melhores margens é maior.

«Os projectos internacionais são mais rentáveis do que os realizados em Portugal. Um projecto no estrangeiro pode ter uma taxa de rentabilidade 50%, 60% ou 70% superior à do mercado nacional», diz o gestor, alertando para o facto de a rentabilidade negócio a negócio no mercado internacional ser uma realidade; outra totalmente diferente é a realidade que resulta da exportação de serviços ou da internacionalização de uma empresa.

«Se fizermos uma análise rigorosa de quanto é a margem líquida de um projecto internacional depois de descontados todos os aspectos relacionados com o negócio e todo o investimento que é preciso fazer para conquistar projectos e clientes, é óbvio que a rentabilidade não é igual aos valores referenciados atrás, o lucro é menor», sublinha.

Nestes casos, «é preciso contabilizar o investimento em áreas como pré-venda, criação de procura, actividades de marketing naquelas regiões e apoio local. Mesmo depois de todos estes custos, a rentabilidade continua a ser superior àquela que se consegue em Portugal, numa escala compreendida entre os 30% e os 50%», diz o chairman do Grupo Timestamp.

Sérgio Pena Dias refere que há mercados onde é preciso criar competências e ecossistemas locais, e por isso não é fácil para uma empresa portuguesa ou de outra qualquer nacionalidade chegar a um mercado, fazer um projecto e ir-se embora. «Há uma certa exigência, compreensível, das autoridades locais de reter algum conhecimento para desenvolvimento do seu próprio ecossistema económico e social, e portanto, as empresas têm de estar disponíveis para ter parceiros locais ou sócios que possam colaborar com elas nessas regiões, porque no final do dia quem está conhece sempre melhor o mercado do que aqueles que acabam de chegar», afirma Sérgio Pena Dias.

No passado mês de Abril, a tecnológica abriu o seu segundo escritório fora de Portugal, no Gana, país onde a companhia tem seis pessoas a trabalhar em projectos, embora preveja aumentar para 10 o número de colaboradores nesta geografia. «Estamos a trabalhar com o sector público no Gana e estamos a fechar três oportunidades com utilities desse país», adianta o chairman da Timestamp.

Reequacionar a operação no Brasil

No final de 2012, a tecnológica portuguesa abriu uma operação no Brasil com sócios locais. Até à data houve muitas oportunidades, mas a empresa ainda não conquistou nenhum negócio em terras de Vera Cruz.

«O mercado brasileiro possui muitas perspectivas mas tem várias especificidades e vicissitudes, e ainda não conseguimos trabalhar com o nível de eficácia requerida», explica Sérgio Pena Dias, adiantando que, caso a situação persista, a companhia terá de colocar a hipótese de sair desse país e de investir noutras geografias onde existam oportunidades de negócio e a capacidade de conquistar e executar projectos. A decisão de permanência ou não será tomada no final deste ano.

Fonte: http://www.semanainformatica.xl.pt/negocios/negocios/timestamp-aponta-crescimento-de-30-em-2014